Direito de Resposta a artigo sobre a Uniplaces no Diário Económico

Os subscritores da petição “TRAVAR o Alojamento Local e salvar o que resta do Arrendamento Familiar e de longa duração” (http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=travaoairbnb) que será entregue em breve na Assembleia Municipal de Lisboa e na Assembleia da República gostariam de exercer o seu direito de resposta consagrado na Lei de Imprensa (art.º 24º a 27º) em relação ao artigo “Arrendar em Portugal: 88% dos senhorios prefere contratos inferiores a um ano” assinado por “Tamara Lopes”:
http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/arrendar-em-portugal-88-dos-senhorios-prefere-contratos-inferiores-a-um-ano-141803
(este pedido nunca foi atendido pelo Jornal: o que implica uma violação da Lei em vigor)

O referido artigo está escrito em torno de um alegado “inquérito de boas práticas de arrendamento” promovido pelo “portal” Uniplaces. Em primeiro lugar o Uniplaces não é um “portal” no sentido verdadeiro do termo uma vez que não é – de todo – um “site na internet projetado para aglomerar e distribuir conteúdos de várias fontes diferentes de maneira uniforme” (Wikipedia). Com efeito, o uso, aqui, do termo “portal” é uma técnica de marketing de uma empresa para vender a sua alegada imparcialidade ou neutralidade no mercado imobiliário. Com efeito, a Uniplaces é tudo menos neutral ou imparcial. A Uniplaces é um agente, muito activo, altamente competitivo e agressivo, uma empresa vocacionada na captação de todo o mercado de arrendamento existente nas grandes cidades e no desvio do mesmo para o seu próprio mercado: “alojamento de estudantes”. Isso mesmo consta do seu site: “a Uniplaces está a criar uma marca global de confiança para alojamento de estudantes. Acreditamos em facilitar o processo de alojamento tanto para estudantes como proprietários” sendo que a empresa se foca sobretudo nos estudantes Erasmus: “acreditamos que estudar noutro país é uma oportunidade de viver e aprender todas estas coisas” http://portal.uniplaces.com/pt-pt/o-que-e-a-uniplaces.

A Uniplaces não precisa da vossa publicidade gratuita. É uma grande multinacional que captou recentemente mais de 30 milhões de euros de investidores internacionais (como o fundo “Atomico” com mais de 1.4 biliões de dólares). É uma multinacional com presença em países como China, Brasil e Portugal e com sede fiscal em Londres (por forma a minimizar os impostos que paga ao Estado). É uma grande empresa que pode pagar publicidade comercial. A Uniplaces é também conhecida pelas suas técnicas comerciais muito agressivas, quase predatórias, que contribuem para a quase total evaporação do mercado de arrendamento familiar e de longa duração em Lisboa e que passam por contactos directos (via anúncios de arrendamento familiar) a senhorios com habitações no mercado de arrendamento de longa duração, pela proibição do contacto directo entre cliente e senhorio e até à impossibilidade de visita do espaço antes do contrato. A Uniplaces é, assim, parte do problema de descaracterização das nossas cidades, contribuindo activamente para a expulsão de famílias e idosos das suas casas, substituindo-os por (por vezes) estudantes Erasmus.

O alegado “estudo” da Uniplaces é assim intensamente tendencioso porque visa promover de forma gratuita a empresa (algo que conseguiu graças ao vosso artigo) e porque o objectivo último desta multinacional é o de desviar todo o mercado de arrendamento familiar para o arrendamento para estudantes. Assim sendo, quando publicam que “de acordo com o inquérito, a principal conclusão prende-se com a duração preferencial de cada contrato de arrendamento, ao qual 88% dos inquiridos afirma preferir que as suas propriedades sejam arrendadas por períodos inferiores a um ano” publicam uma conclusão muito pouco credível não apenas pela qualidade parcial do inquiridor como pela natureza da conclusão já que vai de acordo com a intenção da empresa: extinguir o arrendamento a famílias e substitui-lo por arrendamentos a estudantes (pela sua natureza sempre inferiores ao ano lectivo). O mesmo padrão tendencioso se observa noutra conclusão do “estudo”: “56% alega preferir arrendar por quarto, a vários inquilinos em simultâneo”, ou seja, a estudantes… o único grupo populacional que aluga casas com essas características.
Não é só o Alojamento Local a Turistas que está a criar dificuldades ao Arrendamento Familiar e de longa duração. O mesmo tipo de pressão – desigual, injusta e ignorado pelas autarquias – está a acontecer através do arrendamento para estudantes (sobretudo fora das freguesias históricas) e, em particular, através da rede Uniplaces que, de uma forma muito agressiva, procura desviar para si todos os tipos de arrendamento existentes no mercado, com especial foco no arrendamento familiar.
Sugerimos que, para além de publicidade gratuita à Uniplaces, realizem trabalho de investigação sobre as diversas alegações que podem ser facilmente encontradas num motor de busca e que referem problemas sérios quanto à fiabilidade da informação das habitações presentes na plataforma: “Este é um alerta para todos, para que tenham muito cuidado com este tipo de plataformas em que muitas vezes nem têm toda a informação sobre as casas que estão a divulgar, omitem informações relevantes, têm descrições enganosas nos anúncios e apenas se protegem a eles mesmos”: http://portaldaqueixa.com/negocios-e-sites-na-internet/uniplaces-seguranca-para-os-consumidores-zero. Também na área fiscal e da fuga aos impostos pode haver matéria para investigação: “Chamo ainda a atenção que não foi passada nenhuma fatura do valor que foi por mim pago, pelo que para além de falta de profissionalismo, não garantem o cumprimento da lei”: http://portaldaqueixa.com/negocios-e-sites-na-internet/uniplaces-incumprimento-dos-proprios-regulamentos algo que é reforçado pela referência, neste próprio estudo da Uniplaces a uma alusão de que nem todos os seus operadores honram os seus deveres fiscais: “quando questionados sobre a legislação aplicada ao alojamento local ou turismo, 50% dos inquiridos refere ser necessária a existência de regulamentação para que todos paguem os devidos impostos, e 28% afirma que “qualquer proprietário deveria ter a possibilidade de arrendar a sua propriedade à sua maneira” (ou seja: sem pagar impostos).

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